Aqui em baixo da minha casa, estão pintadas num muro as palavras, "Amo-te Helena" e por baixo a preto, "desamo-te! podes morrer à vontade".
Podes morrer à vontade, assim se transforma o amor em desamor, o sim em não, a vida em morte. Vi há dias, uma noticia que dava a conhecer os números dos crimes "sentimentais" em Portugal, demasiados números para tão pouca razão. Dizem que tudo se resolve com amor, que o amor tudo cura, que é a solução para todos os problemas, eu, até concordo com a importância do amor na vida de cada um de nós, realmente não vale a pena viver sem amar, sem sentir que um outro ser, em tudo diferente de nós, nos ama simplesmente, sem porquês pelo meio.
O amor não é eterno, desenganem-se os sonhadores, o amor mesmo que não desapareça, sofre modificações ao longo da vida, resultado das vivências conjuntas e individuais de cada um dos enamorados, o amor, um amor verdadeiro, por muitos abalos que sofra fica connosco até ao fim e, talvez até levemos mais do que um, mas todos contam, todos são importantes e, talvez por isso valha a pena guardar apenas as coisas boas quando ele acaba, mesmo que para nós ainda esteja presente. Vitimas somos todos, desta vida que percorremos, não vale a pena criar outras estupidamente.
Sejam felizes!
segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Hoje estás tão gira!
Hoje estás tão gira!
E ela a sorrir. Pareceu-me que queria dizer,
Tu também estás tão giro hoje, com essa barba por fazer...
Mas não disse, sorriu e virou costas com um olhar que sugeria que a chamasse de volta. Não o fiz e ela seguiu, desaparecendo ao virar da esquina. E eu ali, parado, hipnotizado. Quem sabe a mulher da minha vida e eu, deixei-a ir, assim, sozinha. Resta-me o consolo de que lhe fiz bem ao ego mas e eu? Como fico eu?
No outro dia a mesma coisa, uma raposa a passar e eu com uma espingarda e fiquei ali, quieto, embasbacado com aquele momento. Só eu e ela e nada se passou entre nós. Ainda por cima devia ser a maldita que me come a criação, porque ainda ontem me morreu outra.
E eu sentado no sofá com a janela virada para o mar aberto no meu peito, ancorado por um pequeno nó que me prendia a esses dias, a esses momentos que, julgava eu, seriam um exemplo para o que de futuro viesse.
E a minha esperança sem sentido a salvar-me mais uma vez, do falhado que eu sou, a convencer-me de que afinal de contas estava mais experiente, mais maduro, mais preparado para o que me viesse a acontecer. Foi quando te vi que percebi que afinal não, que a minha esperança mais não tinha senão um sentido maternal muito próprio e genuíno. Eu ali calado e tu a olhar para mim, parada e quieta. Falaste mas eu não ouvi nada do que disseste. Viraste costas depois de me olhar uma última vez, confusa e desiludida pelas expectativas que talvez tenhas criado naqueles breves instantes. E eu ali, a ver-te partir,
resta-me o Mundo pensei eu e virei costas a sorrir para o mar aberto no meu peito.
E ela a sorrir. Pareceu-me que queria dizer,
Tu também estás tão giro hoje, com essa barba por fazer...
Mas não disse, sorriu e virou costas com um olhar que sugeria que a chamasse de volta. Não o fiz e ela seguiu, desaparecendo ao virar da esquina. E eu ali, parado, hipnotizado. Quem sabe a mulher da minha vida e eu, deixei-a ir, assim, sozinha. Resta-me o consolo de que lhe fiz bem ao ego mas e eu? Como fico eu?
No outro dia a mesma coisa, uma raposa a passar e eu com uma espingarda e fiquei ali, quieto, embasbacado com aquele momento. Só eu e ela e nada se passou entre nós. Ainda por cima devia ser a maldita que me come a criação, porque ainda ontem me morreu outra.
E eu sentado no sofá com a janela virada para o mar aberto no meu peito, ancorado por um pequeno nó que me prendia a esses dias, a esses momentos que, julgava eu, seriam um exemplo para o que de futuro viesse.
E a minha esperança sem sentido a salvar-me mais uma vez, do falhado que eu sou, a convencer-me de que afinal de contas estava mais experiente, mais maduro, mais preparado para o que me viesse a acontecer. Foi quando te vi que percebi que afinal não, que a minha esperança mais não tinha senão um sentido maternal muito próprio e genuíno. Eu ali calado e tu a olhar para mim, parada e quieta. Falaste mas eu não ouvi nada do que disseste. Viraste costas depois de me olhar uma última vez, confusa e desiludida pelas expectativas que talvez tenhas criado naqueles breves instantes. E eu ali, a ver-te partir,
resta-me o Mundo pensei eu e virei costas a sorrir para o mar aberto no meu peito.
sábado, 14 de Novembro de 2009
Bom fim-de-semana!
Daqui a algumas horas já vou estar no Pavilhão Atlântico a ver os Depeche Mode a tocar e David Gahan a expressar-se na sua forma unica e incomparável. É um daqueles concertos que falhei já demasiadas vezes e que desta vez finalmente poderei viver e sentir.
Muitas das suas músicas acompanharam toda a minha vida, até chegar onde estou hoje, com 30 anos mas a sentir-me ainda uma criança.
Escrevo todas estas palavras ao som dos Depeche, cerimonialmente ao som de Personal Jesus e de todos os videos ao vivo que vou encontrando no youtube, apetecia-me escrever, mas agora as palavras parecem estar entaladas, talvez seja a ansiedade por hoje à noite que me esteja a desviar a atenção.
Está para ai a chegar o Natal e já se avistam nas ruas, em lojas e em postes de iluminação as decorações festivas e se as árvores substituem agora as vestes naturais por outras, menos amigas do ambiente, eu, nós, que por cá andamos, continuamos iguais, seguindo as nossas vidas de acordo com este horário deprimente que nos impõem ano após ano.Ás 5 e meia da tarde já é noite e é com isto que temos de lidar, eu, que me deito por norma por volta da uma da manhã, passo quase 8 horas das 17 ou 18 em que estou acordado de noite. Em Inglaterra, onde o dia ainda é mais curto, este horário de Inverno começa a ser cada vez mais contestado, tendo sido recentemente apresentados alguns estudos que comprovam, o maior gasto de energia a que este horário nos obriga, mas ao que parece, ninguém está muito preocupado com isso.
Contestações à parte, espera-me um fim-de-semana diferente, concerto dos Depeche, seguido de Lux onde na companhia do Rui Vargas, me esperarão muito boas sonoridades pela noite dentro. Até lá, uma breve limpeza caseira para me entreter e afastar a ansiedade.
Bom fim-de-semana!
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Há seres assim
Tenho 79 anos! E ria como uma criança. Limpava as lágrimas enquanto dizia, vim lá de cima com estes sacos! E eu, na caixa para pagar, depois de um final de dia atribulado com uma passagem pela oficina para deixar o carro. Salvara-me o meu amigo Pedro e agora isto.
- Olhe eu sou de 79 veja lá! E ela a rir desalmadamente numa alegria que contagiou as 5 pessoas naquela entrada de supermercado.
Depois de pagar e de aconchegar os sacos das compras,
Boa noite a todos! E ela a rir, tão baixinha, com os seus cabelos pintados de louro a desejar-me um noite muito feliz.
Obrigado e igualmente e virei costas e fui a rir sozinho pelo caminho.
- Olhe eu sou de 79 veja lá! E ela a rir desalmadamente numa alegria que contagiou as 5 pessoas naquela entrada de supermercado.
Depois de pagar e de aconchegar os sacos das compras,
Boa noite a todos! E ela a rir, tão baixinha, com os seus cabelos pintados de louro a desejar-me um noite muito feliz.
Obrigado e igualmente e virei costas e fui a rir sozinho pelo caminho.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Apenas te peço isso
Gosto de estar comigo próprio e talvez por isso às vezes não me apeteça estar com ninguém. Gosto das longas conversas e das dissertações constantes em que me perco no prazer de estar comigo. Serei eu o amor da minha vida, serei eu a minha própria alma gémea, porque ninguém me conhece assim, ninguém me diz o que eu digo a mim próprio. Não conto a mais ninguém tudo aquilo que sinto.
Sei que não me julgarás, sei que és parecido comigo, que és meu semelhante, que me percebes apesar das desilusões que te possa causar. Sou mais forte contigo, porque sem ti não sou ninguém, sem ti não vivo sequer. Alma gémea que sou eu, que amores há muitos, mas nem com esses podemos contar, mas tu não, tu nunca me magoarás por vingança, nunca me tentarás magoar em própria defesa. Abres as mãos para mim e ouves o que tenho para te dizer, sei que não me julgarás sem que primeiro te ponhas na minha pele, sei que o farás e por isso gosto de ti, por isso apenas preciso de ti. Tudo o resto são acessórios, uns mais importantes que outros, mas sem eles sobreviveremos juntos. Todos eles nos ajudaram a ser quem somos, a todos eles amamos de forma única e exclusiva, os nossos amigos, tudo sangue da nossa alma que para sempre protegeremos. Pequenas ideias, pequenas jóias da nossa vida que nos ajudam a avançar cada vez mais unidos, também eles bem acompanhados, também eles sozinhos consigo próprios.
Só aqui falo contigo de forma a que os outros escutem também, só aqui nos separamos para dar lugar aos outros que aqui espreitam as palavras que trocamos. É especial este nosso amor não é? Fica comigo e deixa-me apenas quando eu te deixar também, apenas te peço isso.
Sei que não me julgarás, sei que és parecido comigo, que és meu semelhante, que me percebes apesar das desilusões que te possa causar. Sou mais forte contigo, porque sem ti não sou ninguém, sem ti não vivo sequer. Alma gémea que sou eu, que amores há muitos, mas nem com esses podemos contar, mas tu não, tu nunca me magoarás por vingança, nunca me tentarás magoar em própria defesa. Abres as mãos para mim e ouves o que tenho para te dizer, sei que não me julgarás sem que primeiro te ponhas na minha pele, sei que o farás e por isso gosto de ti, por isso apenas preciso de ti. Tudo o resto são acessórios, uns mais importantes que outros, mas sem eles sobreviveremos juntos. Todos eles nos ajudaram a ser quem somos, a todos eles amamos de forma única e exclusiva, os nossos amigos, tudo sangue da nossa alma que para sempre protegeremos. Pequenas ideias, pequenas jóias da nossa vida que nos ajudam a avançar cada vez mais unidos, também eles bem acompanhados, também eles sozinhos consigo próprios.
Só aqui falo contigo de forma a que os outros escutem também, só aqui nos separamos para dar lugar aos outros que aqui espreitam as palavras que trocamos. É especial este nosso amor não é? Fica comigo e deixa-me apenas quando eu te deixar também, apenas te peço isso.
Pode ser que um dia...
Podes morrer descansada, que desta vida não levas mais nada. Já agarraste tudo e por aqui nada deixaste. Morre por isso à vontade que desta vida nem mais uma ferida.
Um dia seria tão bom que deixasses algo por vontade própria,
um gesto de benevolência sem história,
um presente por desembrulhar,
para onde eu pudesse olhar,
que apenas um pudesse tocar.
Mas não uma velha como tu,
amarga e azeda por quem ninguém faz luto,
não alguém assim, que vive só para si,
sem olhar os outros antes se ver primeiro a si.
Um dia saberás talvez que aqueles que perdeste,
nunca sequer os tiveste,
que aqueles em quem nunca pensavas,
te amassem sem palavras.
Não mereceste em toda a tua vida ninguém,
no entanto tiveste-me a mim também...
Tiveste à tua maneira, sem nunca procurar,
tiveste de mão beijada e deixaste fugir,
quem um pássaro prestes a voar,
não fica para sempre ali a sorrir.
Vai por isso e não voltes mais,
reencarna e pode ser que um dia,
aches outro ser que veja para onde vais,
que te veja sem saber que afinal não via.
Um dia seria tão bom que deixasses algo por vontade própria,
um gesto de benevolência sem história,
um presente por desembrulhar,
para onde eu pudesse olhar,
que apenas um pudesse tocar.
Mas não uma velha como tu,
amarga e azeda por quem ninguém faz luto,
não alguém assim, que vive só para si,
sem olhar os outros antes se ver primeiro a si.
Um dia saberás talvez que aqueles que perdeste,
nunca sequer os tiveste,
que aqueles em quem nunca pensavas,
te amassem sem palavras.
Não mereceste em toda a tua vida ninguém,
no entanto tiveste-me a mim também...
Tiveste à tua maneira, sem nunca procurar,
tiveste de mão beijada e deixaste fugir,
quem um pássaro prestes a voar,
não fica para sempre ali a sorrir.
Vai por isso e não voltes mais,
reencarna e pode ser que um dia,
aches outro ser que veja para onde vais,
que te veja sem saber que afinal não via.
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Benfica
Sou Benfiquista e guardo comigo as alegrias das vitórias e a dor das derrotas de que me lembro. Por vezes dou comigo a cantar o hino e, quer ganhemos, quer percamos, sinto orgulho em pertencer a tudo aquilo que é esse invulgar clube.
Ainda me lembro, por entre imagens fotográficas, da primeira vez que fui ao estádio da Luz ver o Benfica. Foi num Benfica-Porto em que ganhámos 2-1. Ficámos no 3º anel no inicio de uma das 4 curvas que envolviam o relvado da antiga Luz e desde aí não mais fui o mesmo. Dizem que somos 6 milhões, mas não é isso que nos faz grandes, o que nos faz um clube diferente de qualquer outro, é a forma como um Benfiquista vive o seu clube, como sente e transmite o seu amor e o seu desejo de vitória. Não sei se já foram ver um jogo do Benfica, se não foram experimentem, porque deveria ser algo obrigatório para qualquer ser humano, independentemente do clube que apoia. Ali cada Benfiquista é um amigo, cada um solidário com a dor do outro, as alegrias essas, vivem-se numa euforia contagiante e com isso o vizinho do lado, um perfeito desconhecido minutos antes, pode ser o amigo que abraçamos no festejo de mais um golo do Benfica. Já vivi todo o tipo de sentimentos na Luz, desde uma dor revoltante debaixo de chuva nos 0-5 que o Porto nos deu na nossa casa, aos parabéns cantados por 120 mil ao Rui Costa no dia em que jogámos com o Parma ou os festejos do titulo de campeão a altas horas da madrugada. Já passeei pelo relvado no dia a seguir à morte do Fehér para lá deixar o meu cachecol e já me sentei naquele mágico banco de suplentes. Já vi malucos de toda a espécie e as cenas mais bizarras nos dias de jogo e sei por isso, que se o Kusturica cá viesse ver um jogo, tomaria imediatamente a decisão de fazer um filme sobre um grupo de adeptos do meu clube.
Passámos por uma fase má, é verdade, mas o Benfica é eterno e agora parece-me que estamos a regressar em grande. Não nos peçam para não entrarmos em euforia, porque é isso que faz a nossa força, é isso que faz a nossa energia chegar aos jogadores e que nos torna a todos no 12º jogador mais forte nos 4 cantos do mundo.
Esta segunda fui ao estádio e, talvez daí venha a minha esperança, porque vivi o ambiente e a energia que criámos ali, algo mágico e único garanto-vos eu.
Não gosto de coisas sombrias e sujas e talvez por isso abomine o Porto, assim como não gosto de coisas comedidas e talvez por isso nunca pudesse ser do Sporting, sou do Benfica e ao sê-lo sou melhor pessoa, sou mais humano e mais sensível à diferença, vivo as coisas intensamente e admiro aquilo que é único e singular.
Ser do Benfica, deveria ser aliás receita médica obrigatória aquando do nascimento de qualquer bebé, mas ser Benfiquista é coisa que não se ensina, ou nascemos assim ou nunca seremos de facto capazes de o ser.
Não interessa se goleamos, não interessa se ganhamos ou perdemos, se bem que com isso o país sofra também, o que conta de facto é que continuemos a ser assim, autênticos e por isso únicos.
Viva o Benfica!
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Nem que seja por escrito
À terça parece que andamos por obrigação da condição em que nos encontramos. A semana já começou e agora é aguentar até à próxima sexta à noite. Passada a fase eleitoral, que por norma assisto como se de um mundial de futebol se tratasse, deslizamos agora suavemente até ao findar de um novo ano e início de um outro que sempre me fascinou. 2010 e uma nova década. Lembram-se de quando pensavam em 2010 nos anos 80 e 90? Uma desilusão! Não há robots, não há carros voadores, nem nos vestimos de fatos completos de lycra, com estampados geométricos. Não habitamos a lua, não temos naves espaciais dignas desse nome e continuamos a andar de ganga. Como será em 2030? Continuará Portugal bem classificado na lista de países com maior desigualdade social? Onde estarei eu em 2030? Quem serei eu? Que farei nessa altura? Nestes dias, um novo apelo começa a despontar em mim. Não é nada paternal, desenganem-se, mas começo a achar que devo tentar participar um dia no campeonato do mundo de futebol. Não gosto do formato actual, nem dos seus poucos ideais e, talvez por isso não me apeteça ficar só a ver. Como conseguimos afinal mudar algo de que gostamos tanto e que julgamos estar mal, se ficamos apenas a assistir? Esta questão é no fundo, a génese de toda esta minha problemática existencial. Como toda a boa questão existencial, esta terá de ser pensada, repensada e analisada de fora com recurso a amigos. Às vezes, parece que estou para aqui a escrever para ninguém, a escrever apenas para mim e em boa parte isso é verdade. Aqui sinto-me tão bem comigo que tudo fica mais claro, que tudo fica mais simples e desanuviado. Comigo sempre foi assim, sempre me expressei melhor por escrito do que forma oral, não que tenha algum problema na articulação de palavras, talvez esteja mais relacionado com a timidez do que com o facto de ser um discreto sopinha de massa. Em relação ao campeonato do mundo em que quero participar, apenas vos peço que me avisem se mudar, se me tornar noutra pessoa que vocês não apreciem da mesma forma, eu, garanto-vos que também vos vou avisando, nem que seja por escrito.
terça-feira, 6 de Outubro de 2009
A sala de espera
À minha frente, uma senhora loura dorme com a parede como almofada, braços cruzados a prenderem a mala que jaz no colo, que isto já nem nos hospitais se está seguro.
Três filas de cadeiras desalinhadas, onde deveriam caber apenas duas, numa sala que me parece um velório sob luz fluorescente. Aqui todos falam em sussurro, excepto um senhor que acabou de chegar, carregado com sacos de plástico. A mulher que o acompanha traz uma ligadura, um género de renda à volta da cabeça com um penso de lado que lhe tapa parte da orelha.
Santa Maria é um bom exemplo do estado da saúde em Portugal, está mal, mas à força das pessoas lá vai funcionando.
Hoje era suposto escrever sobre política (dadas as circunstâncias), mas não me apetece nada e além disso, a saúde é mais importante.
Trouxe uma revista, mas a minha acompanhada apoderou-se dela e lê entusiasmada um texto sobre o estranho comportamento da 1ª dama japonesa.
- Vou ao carro buscar uma caneta e uma folha, e, quando volto já ela se apoderara do assunto. Eu compreendo-a, afinal aqui tudo serve para ajudar a passar o tempo, excepto esperar. Ouvir as conversas dos outros, é também uma boa forma de passar o tempo na sala de espera. A senhora da ligadura não pára de suspirar, o marido sentado na fila da frente, continua virado para trás. Afinal não falava alto porque estava cansado, mas porque tem um defeito na fala. Quando voltei da caneta, olhou-me com um estranho ar esgaziado...
Ao seu lado um casal de velhotes conversa, provavelmente já ouvem mal, porque falam num tom muito superior ao normal. Falam de uma sobrinha que ao que parece se vai casar, não me parecem nada doentes, serão acompanhantes de alguém como eu?
Eu aqui estou, ao canto já com a revista ao colo a servir de base à folha onde escrevo. A minha acompanhada entretanto já entrou e espero que já esteja a sair, que eu suspeito que se aqui fico mais tempo, saio daqui doente e amanhã estou de volta.
A senhora loura à minha frente continua a dormir e eu aproveito para ouvir as conversas dos outros. Há pessoas estranhas...
Três filas de cadeiras desalinhadas, onde deveriam caber apenas duas, numa sala que me parece um velório sob luz fluorescente. Aqui todos falam em sussurro, excepto um senhor que acabou de chegar, carregado com sacos de plástico. A mulher que o acompanha traz uma ligadura, um género de renda à volta da cabeça com um penso de lado que lhe tapa parte da orelha.
Santa Maria é um bom exemplo do estado da saúde em Portugal, está mal, mas à força das pessoas lá vai funcionando.
Hoje era suposto escrever sobre política (dadas as circunstâncias), mas não me apetece nada e além disso, a saúde é mais importante.
Trouxe uma revista, mas a minha acompanhada apoderou-se dela e lê entusiasmada um texto sobre o estranho comportamento da 1ª dama japonesa.
- Vou ao carro buscar uma caneta e uma folha, e, quando volto já ela se apoderara do assunto. Eu compreendo-a, afinal aqui tudo serve para ajudar a passar o tempo, excepto esperar. Ouvir as conversas dos outros, é também uma boa forma de passar o tempo na sala de espera. A senhora da ligadura não pára de suspirar, o marido sentado na fila da frente, continua virado para trás. Afinal não falava alto porque estava cansado, mas porque tem um defeito na fala. Quando voltei da caneta, olhou-me com um estranho ar esgaziado...
Ao seu lado um casal de velhotes conversa, provavelmente já ouvem mal, porque falam num tom muito superior ao normal. Falam de uma sobrinha que ao que parece se vai casar, não me parecem nada doentes, serão acompanhantes de alguém como eu?
Eu aqui estou, ao canto já com a revista ao colo a servir de base à folha onde escrevo. A minha acompanhada entretanto já entrou e espero que já esteja a sair, que eu suspeito que se aqui fico mais tempo, saio daqui doente e amanhã estou de volta.
A senhora loura à minha frente continua a dormir e eu aproveito para ouvir as conversas dos outros. Há pessoas estranhas...
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Até para o ano!
Hoje acaba o verão e começa o Outono e eu, como bom distraído patológico, sou apanhado desprevenido, avisado no próprio dia para uma despedida com reencontro marcado para depois da Primavera em flor.
Até lá, as folhas começarão a cair, despindo a grande maioria das árvores de qualquer ornamento, os dias tornar-se-ão mais curtos e a ajudar, em breve, não sei quando, o horário mudará e ser-nos-á roubada mais uma hora para depois a devolverem quando já parece não ser preciso. O frio obrigar-nos-á a vestir roupas quentes e a tirar do armário coisas que já nem nos lembramos ter e, os não fumadores ganharão o privilégio de também eles poderem brincar com o fumo que lhes sai do calor da boca, pena não nevar para podermos regressar à infância, atirando uns aos outros bolas de neve e tentando elaborar um boneco de neve que à noite pudesse ganhar vida e partisse fugindo do calor que o mataria.
Fica a saudade do verão a abraçar-nos, isso fica, confortada com o calor da lareira enquanto desembrulhamos os presentes de natal, com a esperança que o próximo Verão possa ser ainda melhor que o anterior, que esse já lá vai. Já lá vai e não volta mais, mas sobre isso não nos martirizemos, porque se fosse caso disso, sofreríamos todos os dias, pelo anterior que já não volta.
Talvez estas despedidas e estes reencontros, não vos afectem como a mim, talvez não as sintam sequer, já em mim a nostalgia tende a instalar-se sempre que sinto os dias a encurtarem e a noite a chegar mais cedo. Mas com vocês, meus amores de todas as estações, tudo isto parece ser um mal menor e inevitável, talvez por isso sem importância.
Só não me troquem os horários. Que tal fazermos um abaixo-assinado a reclamar as horas que nos tiram e nos devolvem todos os anos?
Até lá, as folhas começarão a cair, despindo a grande maioria das árvores de qualquer ornamento, os dias tornar-se-ão mais curtos e a ajudar, em breve, não sei quando, o horário mudará e ser-nos-á roubada mais uma hora para depois a devolverem quando já parece não ser preciso. O frio obrigar-nos-á a vestir roupas quentes e a tirar do armário coisas que já nem nos lembramos ter e, os não fumadores ganharão o privilégio de também eles poderem brincar com o fumo que lhes sai do calor da boca, pena não nevar para podermos regressar à infância, atirando uns aos outros bolas de neve e tentando elaborar um boneco de neve que à noite pudesse ganhar vida e partisse fugindo do calor que o mataria.
Fica a saudade do verão a abraçar-nos, isso fica, confortada com o calor da lareira enquanto desembrulhamos os presentes de natal, com a esperança que o próximo Verão possa ser ainda melhor que o anterior, que esse já lá vai. Já lá vai e não volta mais, mas sobre isso não nos martirizemos, porque se fosse caso disso, sofreríamos todos os dias, pelo anterior que já não volta.
Talvez estas despedidas e estes reencontros, não vos afectem como a mim, talvez não as sintam sequer, já em mim a nostalgia tende a instalar-se sempre que sinto os dias a encurtarem e a noite a chegar mais cedo. Mas com vocês, meus amores de todas as estações, tudo isto parece ser um mal menor e inevitável, talvez por isso sem importância.
Só não me troquem os horários. Que tal fazermos um abaixo-assinado a reclamar as horas que nos tiram e nos devolvem todos os anos?
domingo, 20 de Setembro de 2009
Votem!

Daqui a uma semana, a esta hora, já saberemos quem será o 1ºMinistro que governará Portugal, em principio durante os próximos 4 anos. Nesta coisa da política, tal como no futebol, o que hoje é mentira, amanhã é verdade, ou poderá ser verdade, o que a torna ainda mais complexa. Eu, após longo período de reflexão, já decidi em quem vou votar, dispenso por isso o dia de reflexão e guardo-o para ir a Sines de propósito exercer um dos meus mais importantes deveres para com a sociedade.
Estive indeciso, assumo, mas agora as dúvidas dissiparam-se.
Sei que alguns dos meus amigos acompanham este blog, sei que costumam vir cá espreitar aquilo que escrevo. Não gosto de ser chato e, talvez por isso apenas me pronuncio sobre política quando me falam no assunto, por isso, caso não vos tenha dito já, espero que vão votar, nem que seja em branco, nem que escrevam o vosso nome e lá coloquem uma cruz. Pesquisem os sites dos vários partidos, ganhem tempo em vez de o perderem noutra coisa qualquer e leiam o que eles propõem. Deixo-vos aqui os links dos programas eleitorais de todos os partidos que concorrem.
Boa reflexão!
Bloco de Esquerda - BE
Partido Popular - PP
Coligação Democrática Unitária - CDU
Movimento Esperança Portugal - MEP
Movimento Mérito e Sociedade - MMS
Movimento Partido da Terra - MPT
Partido comunista dos Trabalhadores Portugueses - PCTP-MRPP
Partido Democrático de Atlântico - PDA
Partido da Nova Democracia - PND
Partido Nacional Renovador - PNR (Dá erro ao tentarmos abrir a página)
Partido Socialista - PS
Partido Social Democrata - PSD
Partido Operário de Unidade Socialista - POUS
Partido Humanista - PH
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Seremos?
Andava ali sem saber bem porquê. Quando ia a sair, agoniado com as dúvidas, que mais pareciam certezas, que regularmente o afligiam, pensava se aquilo valeria a pena, se teria de facto escolhido o caminho certo, se aquilo não seria afinal um beco sem saída. Sentia-se cada vez mais apertado, mais incomodado com tudo aquilo que o rodeava, parecia estar a estreitar o corredor estreito que estava obrigado a percorrer. Para trás não podia ir, era demasiado tarde e além disso, os esqueletos que deixara atrás de si... jamais teria a coragem de os enfrentar.
Para seguir o caminho outrora desejado, tinha atalhado muito, avançado por vezes inesperadamente, muitas vezes fragilizado, preso a escolhas das quais não se podia esconder, a actos que não conseguia esquecer. Para recuperar de tais abalos, pensava que todos os seres estariam a sujeitos a tal destino, que todos teriam feito, ou acabariam por fazer escolhas e com elas teriam de saber viver. Pequenas coisas, irreflectidas por vezes, inevitáveis talvez.
Seremos todos iguais?
Para seguir o caminho outrora desejado, tinha atalhado muito, avançado por vezes inesperadamente, muitas vezes fragilizado, preso a escolhas das quais não se podia esconder, a actos que não conseguia esquecer. Para recuperar de tais abalos, pensava que todos os seres estariam a sujeitos a tal destino, que todos teriam feito, ou acabariam por fazer escolhas e com elas teriam de saber viver. Pequenas coisas, irreflectidas por vezes, inevitáveis talvez.
Seremos todos iguais?
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
A morte anunciada
Foi nesse madrugada que lhe foi anunciada a sua morte...
Embora esta fosse à muito previsível de acontecer, ele tinha uma réstia de esperança de lhe poder ser dada mais uma oportunidade. Na realidade a notícia que agora estava a receber, era unicamente uma consequência dos seus actos terrenos, e embora ele tivesse até determinada altura tido a hipótese de ter seguido outro caminho , nunca o fez, e era o reconhecer dessa sua culpa que o deixou em pior estado. Como tinha sido teimoso e negligente...
A notícia foi-lhe dada friamente e sem qualquer intenção de negociação. Acabara, e agora de vez...
Como iria encarar esta sua nova fase, o que iria fazer, como a resolver? Perdera o direito à vida, e só agora percebia o quanto a queria viver e o quanto a desperdiçara. Se pudesse voltar atrás... Mas não podia...
Enquanto todas estas ideias devaneios e sentidos de culpa lhe castigavam a alma, o seu corpo perdia o controlo e a razão evaporava-se juntamente com as lágrimas que lhe corriam pelo rosto. De tudo o que ouviu recordou uma frase em especial: "Só a morte não tem remédio".
Mas não era à morte que acabara de ser condenado?!
Embora esta fosse à muito previsível de acontecer, ele tinha uma réstia de esperança de lhe poder ser dada mais uma oportunidade. Na realidade a notícia que agora estava a receber, era unicamente uma consequência dos seus actos terrenos, e embora ele tivesse até determinada altura tido a hipótese de ter seguido outro caminho , nunca o fez, e era o reconhecer dessa sua culpa que o deixou em pior estado. Como tinha sido teimoso e negligente...
A notícia foi-lhe dada friamente e sem qualquer intenção de negociação. Acabara, e agora de vez...
Como iria encarar esta sua nova fase, o que iria fazer, como a resolver? Perdera o direito à vida, e só agora percebia o quanto a queria viver e o quanto a desperdiçara. Se pudesse voltar atrás... Mas não podia...
Enquanto todas estas ideias devaneios e sentidos de culpa lhe castigavam a alma, o seu corpo perdia o controlo e a razão evaporava-se juntamente com as lágrimas que lhe corriam pelo rosto. De tudo o que ouviu recordou uma frase em especial: "Só a morte não tem remédio".
Mas não era à morte que acabara de ser condenado?!
domingo, 30 de Agosto de 2009
A Fuga
Correu o mais que conseguiu, sem nunca parar ou hesitar. Esta era a corrida da sua vida, e sentia que precisava de percorrer o caminho meticulosamente planeado, o mais rapidamente possível. Era agora livre! A sensação de liberdade fê-lo sentir forte e mais vigoroso, e deste modo sem olhar para trás acelerou o passo. Ia conseguir, ser livre e poder agir como bem quisesse, não era só um sonho, mas já uma realidade. A prisão que tinha durante anos suportado, e a qual lhe tinha condicionado sonhos e projectos estava cada vez mais longínqua, e a possibilidade de voltar a ser apanhado nas sua redes era uma hipótese muito remota.
Pela primeira vez olhou então para trás. Visualizou o caminho que percorrera desde a sua fuga, e lá ao fundo, apenas simbolizado por um ponto quase imperceptível, lá estava ele, o local que o prendera. Perante esta visão, e contrariamente ao que julgara, a alegria e toda a adrenalina que sentira até então, foi substituída por um mau estar geral. O seu corpo foi trespassado por uma dormência letal que o impediu de se virar e continuar o caminho. Os olhos pareciam querer fechar e um cansaço súbito impedia-o de manter um raciocínio lúcido. Apelou à razão que sempre o guiara até então, mas já não tinha controlo sobre si mesmo. De repente seu por si a desejar voltar. Tudo aquilo que lhe pareciam defeitos até então, passaram a ser vistos como virtudes únicas e capazes de lhe despertar paixão. Não compreendia o que sentia, e sentou-se sem saber o que fazer, pois afinal tudo o que tinha programado já não lhe parecia fazer sentido. Que sentido fazia fugir do único local que conhecia? Para onde ia? O que iria fazer? Não fazia ideia, e isso desmoronou toda a sua existência.
Afinal concluiu que a vida não deve ser programada, pois é muito simples para se poder reger por padrões pré-definidos ou imposições discriminatórias. Deste modo, decidiu permanecer sentado e esperar que algo em si lhe indicasse o caminho, pois ia esquecer o programado, iria para onde um cheiro, um toque, uma visão, ou um chamamento o levasse. E iria finalmente sem quaisquer tipo de receios...
Pela primeira vez olhou então para trás. Visualizou o caminho que percorrera desde a sua fuga, e lá ao fundo, apenas simbolizado por um ponto quase imperceptível, lá estava ele, o local que o prendera. Perante esta visão, e contrariamente ao que julgara, a alegria e toda a adrenalina que sentira até então, foi substituída por um mau estar geral. O seu corpo foi trespassado por uma dormência letal que o impediu de se virar e continuar o caminho. Os olhos pareciam querer fechar e um cansaço súbito impedia-o de manter um raciocínio lúcido. Apelou à razão que sempre o guiara até então, mas já não tinha controlo sobre si mesmo. De repente seu por si a desejar voltar. Tudo aquilo que lhe pareciam defeitos até então, passaram a ser vistos como virtudes únicas e capazes de lhe despertar paixão. Não compreendia o que sentia, e sentou-se sem saber o que fazer, pois afinal tudo o que tinha programado já não lhe parecia fazer sentido. Que sentido fazia fugir do único local que conhecia? Para onde ia? O que iria fazer? Não fazia ideia, e isso desmoronou toda a sua existência.
Afinal concluiu que a vida não deve ser programada, pois é muito simples para se poder reger por padrões pré-definidos ou imposições discriminatórias. Deste modo, decidiu permanecer sentado e esperar que algo em si lhe indicasse o caminho, pois ia esquecer o programado, iria para onde um cheiro, um toque, uma visão, ou um chamamento o levasse. E iria finalmente sem quaisquer tipo de receios...
O lugar certo...
Em Washington, à porta de uma estação de metro, um violinista tocou durante cerca de 45 minutos. Enquanto tocava sete pessoas pararam por instantes para ouvir as suas melodias, tendo no final do seu pequeno espectáculo conseguido angariar 32 dólares.
Nada mau, até podem alguns pensar, mas na realidade o homem que alí tinha estado a tocar em plena rua para quem estivesse disposto a perder um pouco do seu tempo para apreciar a música, era nada mais nada menos do que Joshua Bell, um dos maiores violinistas contemporâneos da actualidade. O violino avaliado em 3,5 milhões de dólares, foi o mesmo que Joshua utilizou dois dias antes, quando perante uma plateia completamente lotada da sala de concertos de Boston, deu mais um dos seus famosos concertos.
Esta experiência foi arquitectada e filmada pelo Washington Post, e no final pode-se colocar a seguinte pergunta: "será que as pessoas só estão atentas à beleza das coisas no momento e no lugar previamente marcado para tal?"
E vocês teriam parado ao ouvir tocar o violino de Joshua Bell?
Nada mau, até podem alguns pensar, mas na realidade o homem que alí tinha estado a tocar em plena rua para quem estivesse disposto a perder um pouco do seu tempo para apreciar a música, era nada mais nada menos do que Joshua Bell, um dos maiores violinistas contemporâneos da actualidade. O violino avaliado em 3,5 milhões de dólares, foi o mesmo que Joshua utilizou dois dias antes, quando perante uma plateia completamente lotada da sala de concertos de Boston, deu mais um dos seus famosos concertos.
Esta experiência foi arquitectada e filmada pelo Washington Post, e no final pode-se colocar a seguinte pergunta: "será que as pessoas só estão atentas à beleza das coisas no momento e no lugar previamente marcado para tal?"
E vocês teriam parado ao ouvir tocar o violino de Joshua Bell?
sábado, 15 de Agosto de 2009
A solidão interrompida
Estou sim? Boa tarde Sr. Joaquim Ventura!
Boa tarde!
O meu nome é Pedro Dias e estou a ligar da Vodafone. Está disponível neste momento para responder a duas perguntas sobre os nossos serviços?
Estou sim! Bem estou a precisar de falar com alguém.
Muito bem! Diga-me, está satisfeito com a cobertura da nossa rede?
Estou, mas às vezes quando ligo para o meu filho ninguém atende, ele diz sempre que não recebeu chamada nenhuma, mas aquilo parece mesmo estar a chamar. Às vezes penso que é ele que não me quer atender, mas ele jura que não. Será que me pode ajudar com isso?
Mas o senhor ouve o som de chamada?
Oiço sim senhor!
Isso é de facto estranho, mas o melhor nesse caso será contactar no final desta chamada o nosso serviço de apoio a clientes.
Eu acho que é ele que não quer falar comigo sabe? Ele já não me visita faz tempo e sempre que cá vem está com pressa para fazer alguma coisa, até ao domingo veja lá.
Pois, isso é desagradável. Mas diga-me, e em relação ao seu tarifário, está satisfeito com o que tem, ou gostaria de trocar?
Eu estou, isto é certinho e já sei com o que conto, no final do mês vou à loja e pago sempre o mesmo, até agora não houve surpresas desagradáveis, por isso estou satisfeito.
Muito bem!
Sabe? Eu quando a minha mulher era viva, ainda eu trabalhava, ligava-lhe muitas vezes, porque sentia a falta dela durante o dia. Gostava muito dela, ainda hoje gosto, era a minha melhor amiga, nunca me desiludiu aquela mulher, não é como os filhos, desses também gosto muito, lá vamos perdoando as coisas que eles nos fazem sentir, o desprezo e a frieza com que nos tratam, mas o senhor não percebe isso, pela voz parece ainda um jovem.
De facto sou, ainda nem trinta anos tenho.
Pois é! Então veja lá se trata bem os seus pais, se lhes dá o carinho que eles lhe deram, se é que deram, presumo que sim. Já estou a maçá-lo não é?
Não! De maneira nenhuma Sr. Joaquim.
Apenas lhe digo que gostei muito do seu telefonema e olhe, quando chegar a velho, quando já quase todos os seus amigos morreram, ou ainda por cá andam mas demasiado doentes para lhe fazerem companhia, não viva revoltado por os seus filhos não o visitarem todos os dias, ou todas as semanas, ou todos os meses, eles têm lá a vida deles e nós velhos, olhe, andamos aqui à espera que ela nos leve, é preciso é paciência.
Assim tentarei fazer Sr. Joaquim. Obrigado pelo conselho e um resto de boa tarde!
Boa tarde Sr. Pedro! Ligue mais vezes.
Com licença.
Faça favor.
Boa tarde!
O meu nome é Pedro Dias e estou a ligar da Vodafone. Está disponível neste momento para responder a duas perguntas sobre os nossos serviços?
Estou sim! Bem estou a precisar de falar com alguém.
Muito bem! Diga-me, está satisfeito com a cobertura da nossa rede?
Estou, mas às vezes quando ligo para o meu filho ninguém atende, ele diz sempre que não recebeu chamada nenhuma, mas aquilo parece mesmo estar a chamar. Às vezes penso que é ele que não me quer atender, mas ele jura que não. Será que me pode ajudar com isso?
Mas o senhor ouve o som de chamada?
Oiço sim senhor!
Isso é de facto estranho, mas o melhor nesse caso será contactar no final desta chamada o nosso serviço de apoio a clientes.
Eu acho que é ele que não quer falar comigo sabe? Ele já não me visita faz tempo e sempre que cá vem está com pressa para fazer alguma coisa, até ao domingo veja lá.
Pois, isso é desagradável. Mas diga-me, e em relação ao seu tarifário, está satisfeito com o que tem, ou gostaria de trocar?
Eu estou, isto é certinho e já sei com o que conto, no final do mês vou à loja e pago sempre o mesmo, até agora não houve surpresas desagradáveis, por isso estou satisfeito.
Muito bem!
Sabe? Eu quando a minha mulher era viva, ainda eu trabalhava, ligava-lhe muitas vezes, porque sentia a falta dela durante o dia. Gostava muito dela, ainda hoje gosto, era a minha melhor amiga, nunca me desiludiu aquela mulher, não é como os filhos, desses também gosto muito, lá vamos perdoando as coisas que eles nos fazem sentir, o desprezo e a frieza com que nos tratam, mas o senhor não percebe isso, pela voz parece ainda um jovem.
De facto sou, ainda nem trinta anos tenho.
Pois é! Então veja lá se trata bem os seus pais, se lhes dá o carinho que eles lhe deram, se é que deram, presumo que sim. Já estou a maçá-lo não é?
Não! De maneira nenhuma Sr. Joaquim.
Apenas lhe digo que gostei muito do seu telefonema e olhe, quando chegar a velho, quando já quase todos os seus amigos morreram, ou ainda por cá andam mas demasiado doentes para lhe fazerem companhia, não viva revoltado por os seus filhos não o visitarem todos os dias, ou todas as semanas, ou todos os meses, eles têm lá a vida deles e nós velhos, olhe, andamos aqui à espera que ela nos leve, é preciso é paciência.
Assim tentarei fazer Sr. Joaquim. Obrigado pelo conselho e um resto de boa tarde!
Boa tarde Sr. Pedro! Ligue mais vezes.
Com licença.
Faça favor.
domingo, 9 de Agosto de 2009
Raul Solnado

Mais um que nos deixou. Lembro-me dele me fazer rir, desde que tenho memória, desde que me lembro de rir. Mais um que se deixou levar pela morte, mas que permanecerá vivo dentro de todos aqueles que ele fez chorar de rir. A sua morte não nos traz lágrimas, apenas um sorriso, porque lágrimas já ele me fez derramar muitas vezes, hoje apesar da sua morte, apenas guardo um sorriso que vem com a sua memória.
"Façam o favor de ser felizes!" era esta a sua frase, mas estas não eram apenas palavras, ditas da boca para fora, com Raul, vivo ou morto, somos de facto mais felizes.
Até amanhã Raul!
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Exemplos
Manuel Alegre, político e poeta Português, abandonou a vida de Deputado da Nação. Teremos nos próximos quatro anos, menos um deputado independente na Assembleia da República, tão escassos que são, sentiremos a sua falta, sentirá ainda mais o País do que nós Portugueses.
Mas esta independência julgo que poderá continuar a ser conquistada, adquirida com esforço por aqueles que conseguem colocar o País acima de interesses pessoais, a encarar o seu estatuto, como o de alguém ao serviço da causa pública.
Fala-se muito da perda de valores que por agora nos parece assolar, dizem que entre os jovens principalmente, apesar se ser senso comum que os exemplos fluem melhor de cima para baixo. Não sei como seria antigamente, mas hoje os políticos interessam-se mais por eles e os seus, do que pelo Povo, mesmo do que pelo País, vê-se-lhes nos olhos.
Mas não é só por cá, é assim em todo o lado, com raras excepções que poderiam inspirar o mundo a exigir uma mudança, mas que se acabam sempre por tornar mitos, idealistas utópicos, não praticáveis por mais ninguém que não eles próprios. Pena é que assim seja, que haja por ai mais gente fraca do que aquela que seria necessário, para permitir que os exemplos fluam de alguma forma, em vez de se perderem no lodo onde eles esforçadamente assentam os pés.
Mas esta independência julgo que poderá continuar a ser conquistada, adquirida com esforço por aqueles que conseguem colocar o País acima de interesses pessoais, a encarar o seu estatuto, como o de alguém ao serviço da causa pública.
Fala-se muito da perda de valores que por agora nos parece assolar, dizem que entre os jovens principalmente, apesar se ser senso comum que os exemplos fluem melhor de cima para baixo. Não sei como seria antigamente, mas hoje os políticos interessam-se mais por eles e os seus, do que pelo Povo, mesmo do que pelo País, vê-se-lhes nos olhos.
Mas não é só por cá, é assim em todo o lado, com raras excepções que poderiam inspirar o mundo a exigir uma mudança, mas que se acabam sempre por tornar mitos, idealistas utópicos, não praticáveis por mais ninguém que não eles próprios. Pena é que assim seja, que haja por ai mais gente fraca do que aquela que seria necessário, para permitir que os exemplos fluam de alguma forma, em vez de se perderem no lodo onde eles esforçadamente assentam os pés.
terça-feira, 14 de Julho de 2009
Pode ser que sim
Um sentado, costas curvas, pescoço caído, como quem pede ajuda esforçadamente e outro, gracioso, elegante, a passear altivez pelas ruas fora. Ambos se cruzavam diariamente, ou um cruzava o outro, um estático, outro sempre em movimento.
Ambos pedintes, sem se saberem semelhantes, um deles até sem se saber pedinte. Diferentes formas de pedantismo convenhamos, desculpa de um, vergonha do outro.
Um prometia e por vezes até mesmo dava coisas em troca, o outro nada tinha para prometer quanto mais para oferecer.
Diferentes até mesmo naquilo que eram iguais, iguais no que se julgavam diferentes.
Ilusões, suponho que todos as temos, semelhanças felizmente também, todos unidos num infinito rol de diferenças e semelhanças, todos separados, sozinhos em vez de unidos como deveríamos.
A sociedade do eu, chamam-lhe agora, do eu quero, eu sei, eu mando, eu posso e até pode ser que faça um dia, não sei quando, mas pode ser que o faça mesmo.
Ambos pedintes, sem se saberem semelhantes, um deles até sem se saber pedinte. Diferentes formas de pedantismo convenhamos, desculpa de um, vergonha do outro.
Um prometia e por vezes até mesmo dava coisas em troca, o outro nada tinha para prometer quanto mais para oferecer.
Diferentes até mesmo naquilo que eram iguais, iguais no que se julgavam diferentes.
Ilusões, suponho que todos as temos, semelhanças felizmente também, todos unidos num infinito rol de diferenças e semelhanças, todos separados, sozinhos em vez de unidos como deveríamos.
A sociedade do eu, chamam-lhe agora, do eu quero, eu sei, eu mando, eu posso e até pode ser que faça um dia, não sei quando, mas pode ser que o faça mesmo.
segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Vaticano

Confesso que me é difícil não comentar afirmações provenientes dessa organização obscura, que é a Igreja Católica.
Desta vez o Papa Bento XVI, acusou os homens de negócios de terem substituído deus pelo "deus do dinheiro". Eu, confesso ateu e profundo contestatário do Vaticano, perante uma afirmação que revela tamanho desapego material, da parte do líder de uma entidade, que contrata os melhores gabinetes de gestão, que negoceia com supostos traficantes de armas e sabe-se lá mais do quê, pergunto se não terá a igreja católica, também ela, cedido aos caprichos e oportunidades do mundo dos negócios.
Não sei se pelos caprichos, dos sapatos Prada, se pelos chapéus de alta costura que envergam, a Igreja sempre deu a sensação de também ela, apesar dos sacrificios que impõe aos súbditos, ceder demasiado facilmente à tentação do dinheiro fácil. É aliás do conhecimento de público em geral, que o Vaticano através de bancos ou sociedades gestoras, de renome Mundial, joga na bolsa, faz especulação imobiliária e não me admiraria se porventura também lavasse dinheiro com recurso a offshores e fundações.
Costuma dizer-se que aqueles que têm telhados de vidro não devem atirar a primeira pedra, mas aos que têm vitrais artistícos, aconselha-se ainda mais um pouco de prudência.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

