Vivemos num mundo de mentirosos
de gente que combate a verdade
que nos tira a carne e nos deixa os ossos
de gente que acha injusta a igualdade
como uma noite escura de lua nova
que as luzes dos candeeiros não acendem
em que as escutas não são prova
e a mentira a verdade que nos vendem
somos para eles as marionetas
do espectáculo que eles encenam
somos gráficos e rectas
somos números que nos condenam
E as mentiras são verdades inventadas
onde a palavra e a honra não cabem
os jornais e a TV as armas usadas
para garantir a certeza de que nos vencem
E nós sem sabermos que estamos em guerra
habituados a viver conformados nesta paz
que nos faz querer deixar a nossa terra
que nos faz ficar cada vez mais para trás
E os anos passam sem vitória aparente
num país censurado pelo medo
Em que quem ganha é quem mais mente
e o povo é tratado como um brinquedo
somos para eles as marionetas
do espectáculo que eles encenam
somos gráficos e rectas
somos números que nos condenam